Ele parece começar a fornecer indícios de que a espera é uma ação equivocada. Achou que estivessem caminhando na mesma direção. Talvez, fosse mais um de seus desejos. Por ironia, o acaso, mesmo que por acaso, lhe apresentava novas possibilidades, outros mundos acompanhados de novos ares... diante do impossível ele via o infinito, representado na forma da linha do horizonte. Foi então que parou e como na música se interrogou: "A uma hora dessas por onde andarás seu pensamento?". Cansado de tanto conjecturar, observou a Lua que imponente no céu e, testemunha de tantos outros momentos, nada lhe acrescentou. 'Chega um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação". O acaso, não é uma mera coincidência... ele soa como salvação!
"Todas as formas se mudam, decaem e perecem ou se transformam, são todas efêmeras, fugazes e caducas, ao passo que a ideia ou substância é sempre viva, verde e eterna"
domingo, 19 de maio de 2019
sábado, 23 de março de 2019
TEMPO PRESENTE
Ele sabe que o passado não exite e tampouco o futuro. E que o que foi dito que seria para sempre, nunca de fato existiu - frase solta repetida no presente se referindo ao futuro, mas que hoje é passado. No agora, ele vê o caminhar dos dias com naturalidade e segue resiliente ao que se apresenta. Constantemente, percebe as conclusões equivocadas frente às situações. Os afastamentos baseados em conjecturas e/ou em decisões unilaterais. Ele comprova a renúncia. Talvez, nesse momento, cabe a ele interpretar o que está dado: "Quem desiste... na verdade nunca quis!".
Por isso, ele segue em frente contando com o que ele sempre pode contar: com ele mesmo. E tudo o que aqui escreve é forjado no seu silêncio e na penumbra. Ele vê pouco e quase nada ouve. Mas conclui: "Tudo bem... não era pra ser. Afinal, não tem como ficar empurrando quem quer ficar parado!". Viver exige audácia e coragem e conjugar verbos sempre foi um desafio. Sigamos fazendo valer o presente do indicativo: perdemos. Perdemos uns aos outros!
sábado, 16 de março de 2019
MEMÓRIA
Os fatos parecem se repetir. Será que teria ele começado, novamente, pelo começo? Apesar de seu heroísmo, ele entende a sua capacidade negativa de repetir padrões e regularidades. Mas agora há pouco tempo. O que lhe restara para andar o que havia andado nesses últimos anos é pouco. Não só para percorrer de um modo novo o caminho já andado, mas para fazer o que não pudera fazer até então: atingir a compreensão, ultrapassá-la e aplicá-la. A sua memória parecia implacável. Aos poucos as imagens vão se apagando e tudo parece começar a ser esquecido.
Para ser leal com a sua própria necessidade ele não pode se enganar: ele deve buscar e apostar em um novo começo.
[Adaptado]
sexta-feira, 8 de março de 2019
MERGULHO
Ele sabia que se fosse esperar para compreender as coisas nunca haveria de seguir em frente. Por isso resolveu mergulhar fundo - "do alto de onde já caímos". É como na música:"tudo novo de novo". Só que dessa vez tinha consciência de que nesse mergulho estavam juntas a compreensão e a incompreensão.
Talvez, esteja motivado pela coragem da infância. Sabia que "só andando é que se aprende a andar e - milagre - se anda". E é nessa nova perspectiva que ele busca o que não existe: o futuro. Porém, vez por outra, um pequeno medo ainda ronda o ato de entrega ao próximo instante. Mas logo ele se recupera e lembra que o próximo instante é feito dele mesmo.
quinta-feira, 7 de março de 2019
LIBERDADE
Aos poucos tudo parecia ter sido esquecido. A imagem, agora turva, parece se esvair em sua memória. Aos poucos tudo parece voltar ao normal. As lembranças boas vêm acompanhadas pela mancha dos momentos difíceis. A dicotomia marca os fatos. E uma consciência clara e límpida o faz ponderar. Diante de qualquer possibilidade de fraquejo a memória, menos confusa, o faz seguir em frente cheio de certezas. A dependência acabou e a esperança também.
Ele agora é livre!
terça-feira, 5 de março de 2019
SER
Passamos boa parte de nosso tempo tentando encontrar, de fato, o que temos e o que nos tornamos. Talvez, nossa condição humana impõe esse desafio de constantemente duvidarmos de tudo. Porém, cada um de nós, sem exceção, somos rotineiramente confrontados pela própria imagem cristalizada no outro, projetada numa superfície distorcida que paradoxalmente expõe a nossa verdade.
E assim a humanidade tenta vencer terrenos movediços, sobretudo no que tange aos relacionamentos e às formas de encarar a necessidade de ser alguém ou de atender a determinadas expectativas. E nesse sentido, a comunicação se torna algo imprescindível a qualquer dispositivo racional-lógico que busca o que se tem de verdade. Mas é nesse ato de se comunicar que estão presentes o não dito, a hesitação diante dos fatos, os pensamentos confusos e inconclusos e o efeito de frases feitas em meio a falas densas.
É preciso mais do que nunca "paz para nós e nossos sonhos"!
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019
FÉ
Ele fez o de costume, sem qualquer tipo de esperança. A recusa já se tornara habitual. E talvez isso despertasse nele um sentimento grande de menos valia. Diante do dia quente, de um calor sem tréguas, sentia o fervor de suas ideias. Ideias rasas, sem importância. Talvez, faltava-lhe substância. E ali seguia submisso e fiel ao seu sentimento unilateral que o aprisionara. O que mais lhe chateava era ter consciência dos fatos e verificar que a impossibilidade era a realidade que se mantinha. Por alguns instantes, diante da paisagem, lembrou-se de outros tempos e quase deixou-se tomar por certo arrependimento. Mas as escolhas já tinham sido feitas e agora tudo parecia ao encargo do tempo. Tempo que em breve terá sua hora atrasada o que não significa, infelizmente, poder voltar ao passado e reconstruir o que havia deixado se perder. Enfim, sem esperança, ele tenta esquecer e aposta todas as suas fichas, no que sempre lhe salvou: no tempo e na distância. Agora, seus olhos demonstram todo o seu cansaço e a noite sem ruídos avança. Em pensamento repete apenas o refrão: ... se existe Deus em agonia, manda logo essa cavalaria, porque hoje a fé me abandonou.
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